Advogado afirma que apuração começou em 2024, durante investigação sobre consignados, e resultou em representações encaminhadas aos órgãos de controle antes da operação da Polícia Federal.
Cuiabá, MT, agosto de 2026
Assessoria PSB
Assessoria AFGA & Taques
O advogado, ex-senador e
ex-governador Pedro Taques apresentou nesta quinta-feira (7) a cronologia da
investigação conduzida por seu escritório sobre o acordo firmado entre o Estado
de Mato Grosso e a empresa Oi S.A., que resultou no pagamento de R$ 308 milhões
em recursos públicos. Durante coletiva de imprensa, ele afirmou que os fatos
atualmente investigados na Operação Heritage já haviam sido levados ao Poder
Judiciário e a órgãos de controle por meio de ações e representações
protocoladas desde 2025.
Segundo Taques, a
investigação teve origem ainda em novembro de 2024, quando seu escritório
passou a analisar documentos relacionados ao caso dos consignados de servidores
públicos. De acordo com o advogado, foi durante esse trabalho que surgiram
indícios envolvendo fundos de investimento administrados pelo Banco Master,
levando ao aprofundamento das apurações sobre o acordo firmado entre o Estado e
a Oi S.A.
Na coletiva, ele explicou
que a análise foi construída a partir de documentos públicos, especialmente
registros da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), informações societárias e
cruzamento de dados realizado por sua equipe, com apoio de ferramentas de
inteligência artificial. A equipe jurídica examinou milhares de documentos
relacionados a fundos de investimento para reconstruir a estrutura financeira
das operações.
Ao detalhar os fundamentos
da investigação, Taques sustentou que o acordo firmado entre o Estado e a Oi
ocorreu em desacordo com a legislação tributária. Em sua avaliação, a empresa
havia perdido o prazo para contestar judicialmente o crédito tributário. Ainda
assim, um acordo foi celebrado na Câmara de Resolução Consensual da
Procuradoria-Geral do Estado (Consenso-MT), mecanismo que, segundo a
interpretação apresentada na coletiva, não poderia ser utilizado para esse tipo
de matéria.
O procedimento também foi
questionado por ter sido concluído em curto intervalo de tempo. A metodologia
utilizada para os cálculos que embasaram o acordo também entrou na lista de
críticas apresentadas durante a coletiva. De acordo com a exposição feita por
Taques, a elaboração dos valores não passou pelo setor técnico responsável
dentro da Procuradoria-Geral do Estado.
Um dos principais pontos
da coletiva foi a explicação sobre o percurso financeiro dos recursos públicos
após o pagamento do acordo. Na reconstrução apresentada por Taques, o valor
saiu do sistema de pagamentos do Estado (Fiplan), foi direcionado inicialmente
para dois fundos de investimento e, posteriormente, passou por sucessivas
cessões e novas estruturas financeiras até alcançar empresas privadas.
Essa movimentação foi
apresentada como uma estrutura de “fundos em cascata”, expressão utilizada para
descrever sucessivas transferências entre veículos financeiros. O fluxo,
conforme demonstrado durante a coletiva, foi reconstruído a partir de
documentos públicos disponíveis na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Organogramas, registros
societários e outros documentos foram utilizados para demonstrar as relações
entre fundos de investimento, empresas e pessoas mencionadas nas representações
encaminhadas aos órgãos de controle. Segundo Taques, esse conjunto de informações
embasou as medidas posteriormente submetidas às autoridades competentes.
Também foram detalhadas as
providências adotadas pelo escritório ao longo da apuração, entre elas
representações encaminhadas à Procuradoria-Geral da República (PGR), Assembleia
Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Ministério
Público Estadual, Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Comissão de Valores
Mobiliários (CVM) e a Ação Popular ajuizada na Justiça Estadual.
As medidas cautelares
determinadas pelo ministro Flávio Dino no âmbito da Operação Heritage - entre
elas buscas e apreensões, bloqueio de bens, quebra de sigilos e restrições de
contato entre investigados - representam um avanço na apuração dos fatos
levados anteriormente aos órgãos de controle.
Ao comentar os possíveis
impactos do caso, o advogado afirmou que os R$ 308 milhões poderiam ter sido
destinados a políticas públicas nas áreas de saúde, segurança pública e
proteção social, defendendo que eventual recuperação desses recursos
beneficiaria diretamente a população mato-grossense.
Ao encerrar a
apresentação, Taques rejeitou as críticas de motivação eleitoral e afirmou que
a investigação conduzida por seu escritório começou há quase dois anos, antes
do atual calendário eleitoral, e foi construída com base em documentos
públicos, registros societários e informações oficiais. Também abordou o que
classificou como assédio judicial contra jornalistas e reafirmou que
acompanhará os desdobramentos da Operação Heritage.
“Quando muitos diziam que
esse caso não daria em nada, eu não desisti. Continuei reunindo documentos,
provocando as instituições e vou acompanhar essa investigação até o fim, porque
o dinheiro público pertence à sociedade e deve ser protegido”, finalizou.
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